Princesas: identificação exagerada em crianças merece atenção

Meninas - princesas.

Por mais comum que seja a situação de meninas pequenas desejarem vestidos de princesas, ou ainda, ter em alguma delas a sua personagem favorita da ficção, a identificação exagerada com essas figuras pode se mostrar como o início para um problema que só irá aparecer no futuro: o descontentamento com a própria imagem.

Não é só de boatos que se faz essa afirmação, estudos científicos – como o da autora Sarah M. Coyne, que estudou essa relação – afirmam que as personagens da Disney são idealizadas dentro de um padrão de perfeição inalcançável por qualquer ser humano, e ao ter nelas sua noção de beleza resultará em uma pessoa constantemente insatisfeita consigo mesma.

Durante o estudo, que analisou 198 crianças com menos de seis anos, a pesquisadora percebeu ainda que os resultados negativos só foram observados nas meninas, já que os meninos não apresentaram qualquer postura estereotipada após a “exposição” a tal cultura.

Além das princesas, o que dizer dos “brinquedos de menina”?

Também extremamente presentes nas vidas das crianças, os brinquedos, que parecem totalmente irrelevantes para o futuro, acabam sim contribuindo para o surgimento de complexos e transtornos que só irão se manifestar quando a criança em questão já não for mais uma criança.

Talvez um dos mais conhecidos exemplos de identificação problemática com perfis corporais e estéticos nos brinquedos seja a famosa boneca Barbie. Durante muitos anos esse brinquedo só foi disponibilizado em uma versão magérrima, com curvas muito pontuais, cabelos lisos, loiros e com olhos azuis. Consequentemente as meninas que cresceram brincando com esse tipo de boneca apresentaram maior grau de insatisfação pessoal e vontade de emagrecer – segundo um estudo publicado na revista “Developmental Psychology”.

E há ainda outro fator que pode ser ainda mais limitador para as meninas: a própria definição do que é “brinquedo de menina”. Panelas, bonecas, fogões, casinhas, maquiagens, vestidos de princesas, tudo isso pode ser sim muito desejado pelas pequenas, mas quando são limitadas a esses brinquedos, perdem chances preciosas de desenvolvimento. As ferramentas, bolas, jogos de raciocínio, carrinhos e pistas, que comumente são a preferencia quando o assunto é presentear um menino, oferecem grandes momentos de desenvolvimento do raciocínio, memória e coordenação motora. Isso sem contar que os personagens masculinos disponíveis à identificação dos garotinhos quase sempre se tratam de super-heróis, ou seja, a parte mais forte e inteligente das tramas.

O que podemos fazer para ajudar nossas meninas?

É preciso lembrar que quem está ciente da verdade sobre as influências infantis na vida adulta somos nós, o adultos, e com isso comprometermo-nos a oferecer as mais diversificadas possibilidades de identificação para nossas crianças.

Não há problema em deixar sua filha brincar de cozinheira, ou de ser a mamãe da boneca que escolheu, mas também é importante levá-la para jogar futebol no parque e mostrar o quão forte são as super-heroínas, e como também são bonitas as personagens que não se parecem em nada com a Barbie, por exemplo.

Apesar de muitas vezes nos esquecermos disso, as crianças guardam as coisas que aprendem em seu subconsciente, e de uma maneira ou outra terão esses momentos e personagens como base para os pensamentos que irão fomentar suas opiniões no futuro.

E vale lembrar que limitação de referências também é prejudicial a nossos menininhos, afinal, porque não podemos brincar de ter um restaurante com nossos filhos e filhas, irmão e irmãs, ou de ser um engenheiro renomado com toda a turminha das nossas crianças?

A infância é um momento fundamental e refletir sobre o que estamos ensinando a nossos filhos, não é apenas uma responsabilidade com eles, mas também com a sociedade que queremos para o futuro.

Larissa Santos.

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